Brasileira relata ter sido agredida por empregador em Martinica, no Caribe, após viajar para trabalhar como au pair

  • 24/07/2026
(Foto: Reprodução)
Brasileira relata ter sido agredida por empregador em viagem para trabalhar como au pair. A empresária cearense Giselle Matias, de 25 anos, denunciou ter sofrido violência física e psicológica após ter viajado para trabalhar como au pair para uma família, na ilha de Martinica, território francês no Caribe. Após desentendimentos com a brasileira, o pai da família para a qual ela trabalharia teria furtado o passaporte e o celular dela, além de ter cometido agressões físicas. Após ser hospitalizada e pedir ajuda para voltar ao Brasil, Giselle conseguiu retornar para Itapipoca, no interior do Ceará, nesta segunda-feira (20). Ela divulgou vídeos nas redes sociais falando sobre o caso no dia 16 de julho. 🔍 Os programas de au pair são voltados para pessoas que viajam a um país diferente para ajudar uma família a cuidar dos filhos. Em troca, essas pessoas — geralmente mulheres jovens — recebem moradia, comida e um pagamento, como se fosse uma mesada. O objetivo desse tipo de troca seria permitir o aprendizado de outra língua e uma imersão em outra cultura. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Ao g1, Giselle explicou que conheceu o perfil do homem, que dizia ser canadense, por meio de uma plataforma on-line para proporcionar o contato entre famílias e pessoas interessadas no serviço de au pair. O site escolhido por Giselle para se tornar au pair faz o contato com as famílias sem intermédio de agências ou empresas que orientem sobre a documentação exigida para entrar nos países estrangeiros. Ou seja, os empregadores e as pessoas interessadas entram em contato e negociam diretamente os termos do serviço e o deslocamento. A empresária detalha que quis uma mudança de vida para a família e que gostaria de, em um momento posterior, morar fora do Brasil com o marido e as filhas. Ela é proprietária de uma confeitaria em Itapipoca. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que acompanha o caso e presta assistência consular à brasileira por meio do Consulado-Geral do Brasil em Caiena, capital da Guiana Francesa. Desentendimentos após a chegada Casa onde brasileira ficou após ser contratada para trabalhar como au pair na ilha de Martinica Arquivo Pessoal A comunicação com a família escolhida por Giselle era feita em inglês, idioma que ela estuda. No entanto, a cearense admite que tem conhecimentos básicos e que dependia de ferramentas de tradução on-line para conversar. Segundo Giselle, a promessa feita pelo anfitrião era de que ela acompanharia a família dele durante as férias em Martinica. A empresária cuidaria dos dois filhos dele: um menino de 7 anos e uma menina de 11 anos. A promessa final era de que, ao fim das férias, ela seguiria com a família de volta ao Canadá, onde o empregador trataria de regularizar o visto dela como au pair. 🔍 No Canadá, os viajantes brasileiros devem apresentar, no momento da chegada, passaporte válido e algum tipo de autorização prévia emitida pelo governo. Os custos para sair de Fortaleza até chegar à ilha de Martinica foram pagos pelo anfitrião. Ao chegar na cidade de Le Marin, no início de julho, ela ficou em uma casa alugada por ele. Giselle afirma que, em mensagens trocadas com o homem antes de sair do Brasil, ele havia prometido que ela ficaria sozinha na casa, enquanto ele e os filhos estariam morando em um iate. Quando chegou, ela relata que todos estavam instalados na mesma casa. Ela relata ter ficado incomodada com a situação, pois sentia que não tinha privacidade, mas não questionou. E conta também que, no segundo dia, o homem não gostou de saber que ela tem duas filhas. Ela não havia informado isso quando se cadastrou no site. “Na plataforma, se você tiver filhos, você nem consegue se inscrever. E eu estava disposta a deixar aqui [no Brasil] as minhas filhas com o pai e ir trabalhar fora. E eu falei para ele naquele momento. Eu pensei que não fosse influenciar em nada porque eu já estava lá, e as minhas filhas não tinham ido comigo”, explicou ao g1. Giselle afirma que se sentiu excluída das atividades da família depois disso. Depois, o homem disse a ela que, se soubesse que ela tinha filhos, não teria feito a contratação. A cearense então comunicou que, se ele não estivesse feliz com a situação, poderia enviá-la de volta ao Brasil. Conforme relatou a empresária, o anfitrião havia prometido, antes da ida dela, que pagaria a passagem de volta caso ela não se adaptasse. No entanto, após os desentendimentos, ele teria se recusado a custear o retorno dela ao Brasil. “Eu comecei a me desesperar porque eu queria voltar pra casa. Eu já estava ali numa situação que eu vi que não era nada do que eu esperava”, relatou. Denúncia de agressões Brasileira relata ter sido agredida por empregador na ilha de Martinica, no Caribe, após ser contratada como au pair Reprodução Após enviar mensagens explicando a situação para o marido e para a mãe, que estavam no Brasil e ainda não sabiam dos problemas que ela enfrentava, Giselle ingeriu uma grande quantidade de comprimidos no quarto da casa. Isto aconteceu menos de uma semana depois da chegada dela à ilha. Ela recorda que, enquanto estava mal no dia seguinte, o anfitrião exigiu que ela fizesse as malas e deixasse o local imediatamente. Neste momento, a empresária não conseguiu encontrar o celular e o passaporte. O anfitrião teria afirmado que estava com os itens e que não iria devolvê-los. Ainda sob efeito dos remédios, ela conta que foi conduzida para fora da casa e caiu enquanto tentava descer as escadas com as malas. Em depoimento à polícia local, ela contou que foi arrastada com puxões nos cabelos do primeiro andar até o térreo. Ao g1, ela detalhou que não conseguiu identificar se o homem teria praticado outras agressões neste momento ou se os hematomas que ficaram pelo corpo foram causados pela queda na escada. Em seguida, o anfitrião e as crianças teriam deixado a casa e não retornaram. Giselle foi socorrida por duas mulheres que moravam na região e chamaram uma ambulância para ela. As vizinhas falavam francês, mas conseguiram se comunicar para oferecer apoio à brasileira. À polícia, Giselle afirmou que conseguiu um telefone emprestado com um enfermeiro para tentar entrar em contato com o marido. A brasileira foi hospitalizada e passou por alguns exames, que constataram uma fratura no pé. Ela segue usando uma bota imobilizadora, por causa da lesão. Familiares de Giselle entraram em contato com as autoridades brasileiras. Ela conta que recebeu ajuda de uma voluntária brasileira do consulado, que a acolheu na própria casa após a alta hospitalar. Ainda de acordo com a Giselle, a voluntária auxiliou com os trâmites e documentações junto ao consulado e também a acompanhou até a delegacia da Polícia de Martinica, onde ela denunciou oficialmente o furto do passaporte e do celular, além de relatar as violências sofridas. O passaporte e o celular de Giselle foram devolvidos posteriormente pelo anfitrião. A brasileira relata que várias mensagens foram apagadas do celular dela, provavelmente na tentativa de evitar provas contra ele. Retorno ao Brasil Após relatar o caso nas redes sociais enquanto ainda estava em Martinica, Giselle conseguiu arrecadar quase R$ 5 mil vendendo pontos de rifas no perfil da confeitaria administrada por ela. O dinheiro serviu para ajudá-la com alguns custos para o retorno. Ao g1, ela explicou que, há cerca de uma semana, recebeu do consulado brasileiro a mensagem de que receberia a passagem de volta para Fortaleza. Ela chegou em Itapipoca na noite da segunda-feira (20) e retornou ao convívio com os familiares. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores não confirmou a forma de assistência prestada no caso. “O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família”, diz a nota. A pasta complementou que, em direito à privacidade, não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e que “tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros”. Em vídeos divulgados nas redes sociais, Giselle alertou para que outras pessoas não saiam do país ao receber ofertas que “parecem boas demais para ser verdade”. Ela admite que ficou deslumbrada com a possibilidade de mudar de vida e que se precipitou ao se mudar para outro país sem falar o idioma do local. “Eu aconselho vocês a não fazerem o mesmo. Procure, sim, mudar de vida, mas procure mudar de vida de uma forma segura. Procure ajuda, pergunte a pessoas que têm informação”, declarou a empresária cearense, em vídeo divulgado em seu perfil. À reportagem, ela detalhou que pretende entrar com um processo judicial contra o pai da família que a contratou. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/07/24/brasileira-relata-ter-sido-agredida-por-empregador-em-martinica-no-caribe-apos-viajar-para-trabalhar-como-au-pair.ghtml


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